Trump diz que a guerra acabou. Primeiro de abril? - Resenha crítica - 12min Originals
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Trump diz que a guerra acabou. Primeiro de abril? - resenha crítica

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Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

E agora?

Existe um tipo de discurso que todo líder faz quando precisa mudar o assunto. Não é o discurso da vitória... é o discurso que tenta convencer o público de que a vitória já aconteceu, mesmo que o chão ainda esteja tremendo. Na noite desta quarta feira, primeiro de abril de dois mil e vinte e seis, Donald Trump subiu ao púlpito da Casa Branca para fazer exatamente isso. Um pronunciamento em horário nobre, transmitido para toda a nação... os objetivos militares dos Estados Unidos no Irã foram atingidos, e a guerra deve acabar em duas, talvez três semanas.

É o tipo de frase que acalma mercados por algumas horas. Mas quem está prestando atenção sabe que a conta ainda não fechou.

Para entender o peso desse discurso, é preciso voltar trinta e dois dias. No dia vinte e oito de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram a Operação Fúria Épica contra o Irã. Os ataques mataram o líder supremo Ali Khamenei, destruíram a sede da Guarda Revolucionária em Teerã e atingiram mais de cinco mil alvos. A marinha iraniana foi afundada. Instalações nucleares, bombardeadas. Bases de mísseis, em escombros.

Trump listou quatro objetivos desde o início... destruir a capacidade de mísseis, eliminar a marinha, impedir o desenvolvimento nuclear e cortar o financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah. Segundo a Casa Branca, os quatro foram atingidos.

Mas guerras não se medem só pelo que foi destruído. Medem se também pelo que foi detonado sem querer.

O Irã, mesmo devastado militarmente, fechou o Estreito de Ormuz... o corredor por onde passa vinte por cento de todo o petróleo do planeta. Pense nesse estreito como uma torneira. Se você fecha essa torneira, a pressão sobe em todas as tubulações do mundo.

O barril de petróleo Brent disparou para cento e vinte dólares no pico. Recuou para cerca de cem, mas segue quarenta por cento acima do nível pré guerra. A Agência Internacional de Energia chamou isso de a maior interrupção de fornecimento da história do mercado global de petróleo. Maior do que a crise de setenta e três. E desta vez não é só petróleo... o estreito também é rota para gás natural, fertilizantes e hélio.

Os países do Golfo entraram em colapso logístico. Kuwait e Qatar importam mais de oitenta por cento dos alimentos por ali. Preços básicos subiram entre quarenta e cento e vinte por cento. O Irã atacou navios, portos e até usinas de dessalinização, que fornecem noventa e nove por cento da água potável em alguns desses países. É como cortar a água de um prédio inteiro para atingir um único apartamento.

Do lado humanitário, os números são difíceis de confirmar porque a internet dentro do Irã está praticamente cortada. A ONG HRANA estima mais de mil e setecentos civis mortos, incluindo mais de duzentas crianças. O Crescente Vermelho reportou quase dois mil mortos ao completar um mês de guerra. Mais de sessenta mil residências danificadas, quase quinhentas escolas atingidas. A ONU fala em três milhões de deslocados. O incidente mais grave aconteceu no primeiro dia... um míssil americano atingiu uma escola primária feminina em Minab por erro de coordenadas, matando ao menos cento e quarenta e oito alunas.

Existe um debate legítimo sobre as razões desse conflito, e vale ouvir os dois lados.

Defensores da operação apontam que o Irã vinha numa trajetória perigosa. O regime massacrou mais de trinta mil manifestantes entre o final de dois mil e vinte e cinco e janeiro de dois mil e vinte e seis. O programa nuclear avançava. Os mísseis ficavam mais sofisticados. O financiamento ao Hezbollah e ao Hamas nunca parou. Na visão de quem defende a guerra, esperar mais seria aceitar que o Irã cruzasse uma linha sem retorno.

Do outro lado, críticos dizem que as negociações não foram esgotadas. Conversas indiretas aconteciam em Omã semanas antes do ataque. Juristas internacionais argumentam que a operação viola a Carta da ONU. E o próprio Pentágono, em briefing ao Congresso, contradisse a Casa Branca ao dizer que não havia evidências de ataque iraniano iminente contra os Estados Unidos.

Agora, o ponto que importa para quem está lendo de qualquer lugar do mundo... o que esse conflito está fazendo com a economia.

O Federal Reserve está encurralado. A inflação subiu por causa do petróleo caro, mas a economia desacelera. Subir juros freia o crescimento.

Cortá-los alimenta a inflação.

É como pisar no freio e no acelerador ao mesmo tempo.

A gasolina nos Estados Unidos subiu quase oitenta centavos por galão em um mês. O diesel, mais de um dólar e trinta. E tudo que você compra... comida, roupa, eletrônico... viajou num caminhão antes de chegar até você.

A liberação de quatrocentos milhões de barris das reservas estratégicas globais foi anunciada como resposta. Mas isso cobre apenas vinte dias do fluxo normal pelo estreito. O Fed de Dallas calcula que, se o estreito continuar fechado no segundo trimestre, o crescimento global pode cair quase três pontos percentuais. Se o barril chegar a cento e setenta dólares, a Bloomberg projeta que o impacto dobra... estagflação, aquele cenário em que os preços sobem e a economia encolhe.

E os americanos?

Pesquisa Reuters e Ipsos de março mostrou que sessenta por cento desaprovam os ataques. Sessenta e seis por cento querem que a guerra acabe logo, mesmo sem atingir todos os objetivos. A aprovação de Trump caiu para trinta e seis por cento, o menor índice do segundo mandato. Até quarenta por cento dos republicanos já defendem o fim rápido do conflito.

O discurso desta noite é, em grande parte, uma resposta a esse desgaste. Mas há um problema prático. O Wall Street Journal reportou que Trump está disposto a encerrar a guerra mesmo sem garantir a reabertura do Estreito de Ormuz... porque forçar essa abertura poderia esticar o conflito além do prazo prometido.

Enquanto isso, o Irã segue atirando. Mísseis contra Israel, drones contra o Kuwait. O Hezbollah abriu frente no Líbano, onde mais de mil e cem pessoas morreram. O filho de Khamenei foi eleito novo líder supremo... sinal de que o regime não pretende negociar de joelhos. China e Paquistão apresentaram uma iniciativa de paz. O presidente iraniano disse ter disposição para encerrar o conflito, mas exige compensações e fim das hostilidades em todas as frentes. São condições que Washington dificilmente aceitará.

Trump diz que acabou. A televisão transmite. O mercado respira por algumas horas. Mas o Estreito de Ormuz continua fechado, os mísseis continuam voando e a maioria dos americanos não comprou essa guerra.

O pronunciamento não é o ponto final de um conflito. É o primeiro parágrafo de uma nova fase, onde cada dia a mais sem reabertura do estreito aproxima o mundo de um choque que nenhum discurso consegue amenizar.

O que fazer com essa informação

Três cenários, três posturas diferentes.

Cenário um... a guerra acaba em duas a três semanas. Trump cumpre o prazo, o Irã aceita cessar fogo, o estreito reabre gradualmente. Os preços do petróleo recuam, mas não para os níveis pré guerra. Infraestrutura danificada no Golfo pode levar anos para ser restaurada. Para quem investe, atenção em ações do setor energético e fundos de commodities, que devem continuar valorizados mesmo com desescalada. O alívio nos combustíveis será gradual, não imediato.

Cenário dois... a guerra esfria, mas o estreito não reabre. É o cenário que analistas consideram mais provável. Os bombardeios diminuem, mas seguradoras continuam recusando cobertura para navios na região. Petróleo acima de cem dólares por um trimestre inteiro significa inflação persistente, atraso em cortes de juros e pressão sobre moedas de países importadores... incluindo o real. No Brasil, atenção ao diesel, que afeta toda a cadeia logística, e aos fertilizantes, essenciais para o agronegócio. Evitar dívidas atreladas a juros variáveis pode fazer diferença.

Cenário três... o conflito escala. O Irã não cede, os Estados Unidos enviam tropas terrestres, o barril ultrapassa cento e setenta dólares. Governos começam a racionar combustível. Para quem tem investimentos de risco, hora de reforçar posições defensivas... títulos públicos, dólar, ouro. Para quem administra negócio, revisar contratos de fornecimento e garantir estoques de insumos críticos.

Em qualquer cenário, o mundo não volta ao que era antes de vinte e oito de fevereiro. A lição mais prática é que crises geopolíticas distantes cobram a conta no posto de gasolina, no supermercado e no extrato bancário. Informar se não é opcional. É proteção.

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